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Atualização - El-niño 2026

Relatório Avançado: A Gestação de um Novo El Niño (Fev/2026)

O cenário atual não é de um El Niño já estabelecido, mas sim de uma fase de carregamento termodinâmico. Após o arrefecimento causado pelo último episódio de La Niña, o oceano está agora em um estado de "recoil" (recuo), acumulando uma energia colossal abaixo da superfície.

O "Combustível" Oculto: Ondas de Kelvin e a Termoclina

O El Niño não começa na superfície, mas nas profundezas. O que você chamou de "combustível" é tecnicamente conhecido como Anomalia de Conteúdo de Calor Subsuperficial.

  • A "Bomba" de Calor: No Pacífico Oeste (perto da Indonésia), os ventos alísios começaram a enfraquecer em rajadas intermitentes (Westerly Wind Bursts). Isso permite que a "piscina quente" do oeste "escorra" para o leste.

  • Ondas de Kelvin Oceânicas: Atualmente, detectamos uma Onda de Kelvin de Descida. Imagine uma "lombada" de água quente que viaja a 150 metros de profundidade. Ela está atravessando o Pacífico agora. Quando essa onda atingir a costa da América do Sul (Equador e Peru), ela forçará a termoclina (camada que separa água quente de fria) para baixo, impedindo que a água fria suba.

  • O Feedback de Bjerknes: Este é o ponto crítico. Assim que essa água quente aflorar na superfície, ela mudará a pressão atmosférica, enfraquecendo ainda mais os ventos, o que traz mais água quente. É um ciclo de feedback positivo que "liga" o fenômeno.

Probabilidade e Cronograma (Timeline 2026)

De acordo com o IRI (International Research Institute for Climate and Society) e o modelo NMME (North American Multi-Model Ensemble):

  • Trimestre Fev-Mar-Abr: 75% de probabilidade de Neutralidade. O Pacífico está "limpando" os vestígios frios.

  • Trimestre Mai-Jun-Jul: A probabilidade de El Niño sobe para 62%. Este é o período da "Barreira de Previsibilidade da Primavera", onde os modelos costumam ser desafiados, mas o consenso de aquecimento é forte.

  • Segundo Semestre (Ago-Dez): As chances de um El Niño consolidado superam os 70%.

3. Dimensão e Intensidade: O que os dados sugerem?

A grande questão para 2026 é se teremos um El Niño "clássico" (Leste) ou um Modoki (Central).

  • Intensidade Projetada: Os modelos dinâmicos apontam para anomalias na região Niño 3.4 entre +1.2°C e +1.8°C. Isso classificaria o evento como Forte.

  • O Fator "Oceano Global": Diferente de décadas passadas, o oceano global está em temperaturas recordes. Isso significa que o El Niño de 2026 não atuará sozinho; ele será potencializado por um oceano já "febril", o que pode causar anomalias climáticas muito mais erráticas e extremas do que o previsto apenas pelo índice histórico.

4. Impactos Geopolíticos e Climáticos no Brasil

Se a magnitude "Forte" se confirmar no segundo semestre de 2026:

  1. Energia e Hidrologia: O Sudeste poderá enfrentar verões mais quentes, aumentando a demanda por ar-condicionado e pressionando o sistema elétrico, enquanto o Sul terá reservatórios cheios (e risco de transbordamento).

  2. Agronegócio: O "corredor de umidade" será desviado para o Sul. Isso favorece a soja no RS, mas ameaça a produção de grãos no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) devido à seca irregular.

  3. Amazônia: O risco de queimadas e estresse hídrico severo no final de 2026 é altíssimo, com a diminuição das chuvas na bacia amazônica.

Adendo Crítico: o Risco para as Cidades Gêmeas

Para entender por que União da Vitória e Porto União estão na "linha de frente" do El Niño, precisamos olhar para a combinação explosiva de dinâmica atmosférica e geografia fluvial.

O Fenômeno do "Bloqueio Atmosférico"

Durante o El Niño, a corrente de jato subtropical (ventos de alta altitude) se intensifica e se posiciona exatamente sobre o Sul do Brasil. Isso cria uma barreira que impede que as frentes frias avancem para o Sudeste e o Nordeste.

  • O Resultado: As frentes frias ficam "estacionadas" sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Sul do Paraná.

  • O Jato de Baixos Níveis (JBN): O El Niño potencializa um corredor de umidade que vem da Amazônia direto para o Sul. Esse corredor despeja volumes de chuva em poucos dias que seriam esperados para meses inteiros.

O Histórico não Mente (O Fantasma de 1983, 1992, 2014 e 2023)

Se analisarmos os anos de grandes enchentes nas Cidades Gêmeas, quase todos coincidem com anos de El Niño Forte:

  • 1983: O maior desastre da história da região (El Niño Forte).

  • 2023: Recentemente, vimos o Rio Iguaçu atingir níveis alarmantes, isolando bairros inteiros (El Niño Forte).

  • Projeção 2026: Com a transição rápida que estamos vendo agora em fevereiro, o risco é que o período de cheias coincida com o inverno e a primavera de 2026, que é justamente quando o El Niño atinge sua fase de maturação.

4. Por que a região Sul em geral deve se preocupar?

  • Infraestrutura: Pontes, estradas (como a BR-153 e a BR-470) e redes elétricas sofrem estresse extremo com o excesso de umidade e deslizamentos de terra.

  • Agricultura: O excesso de chuva no Sul prejudica a colheita de inverno e o plantio da safra de verão, causando doenças fúngicas devido à falta de luminosidade e excesso de água nas raízes.

  • Logística: O Porto de Itajaí e São Francisco do Sul costumam ter operações afetadas pelo assoreamento e correntezas fortes após grandes volumes de chuva no interior.

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